Sexta-feira, 11 de Março de 2005

O trio dos óculos de sol e o namorado que pensava que o carro era um cavalo...

Elas passeavam-se pelo bairro, divididas entre o telefone na informática e um telemarketing mal pago.
Eles conheceram-se era ele namorado de uma amiga dela... frequentava-lhe a casa e sorria-se-lhe nos olhos, no brilho que ela trazia... e ela... enrolava-se-lhe no sorriso maroto, nas piadas desbocadas... e ambos sabiam...!
O tempo passava entre os empregos, as conversas de café e os jantares em conjunto... elas três. E ele... ainda namorado da amiga... dividia-se nos dias pela A8 e de vez em quando batia-lhe à porta para visitar a namorada. Ela confusa no seu sorriso e ele cansado dakele namoro que nada lhe dizia a não ser o sorriso dela... e ela não era dele!
Decidiu-se um dia, no seu caminho da A8... bateu à porta da casa dela para dizer adeus de uma vez por todas à namorada que ele já não queria!
E ela ficou com medo... e ele ficou com medo... ambos ficaram... cada um na sua vida... presos ao desejo de continuarem a encontrar-se e no medo de nunca mais acontecer... mas era um medo secreto... um medo discreto... nenhum sabia que no outro encontraria a sua vida!
Elas três continuavam envolvidas nos seus dias de amizade, partilha e cumplicidade... ela quase já não morava em casa da amiga!
Certo dia, o tempo parou numa conversa de café, estavam só as duas enquanto outra contava horas no telefone da informática... e ela então confessou-se a si própria... percebeu que queria voltar a vê-lo, sentia o brilho dele, mas não queria magoar a amiga com quem tinha partilhado os primeiros anos do superior e a própria casa. E ficaram as duas a cogitar no sorriso da sua descoberta e na culpa por ser o namorado da amiga!
Mas todo o universo conspira quando a verdade existe e duas noites depois estavam as três no terreiro à espera que ele chegasse para o encontro marcado com ela e entre a mesa e as bebidas descobriram as três o interesse dela por ele. Ela nervosa viu-o entrar e aproximar-se da mesa... elas três que se conheciam tão bem sentiram chegar um velho amigo e ela... só ela... estremeceu... já não era um velho amigo que chegava mas sim a sua outra metade!
Conversaram, riram os quatro e dançaram até à hora de elas duas irem embora e os deixarem a sós... e sós os dois descobriram-se na certeza que já tinham e tomaram como pressuposto o que nenhum tinha coragem de confessar mas os seus corações já sabiam!
Depois dessa noite, ela, enrolada na sua consciência, falou com a amiga ex-namorada, do agora seu namorado. Choraram... e a amiga, presa no seu ego egoísta, escorraçou-a da sua amizade e ela, triste, sem espaço para gozar a felicidade da sua descoberta, mudou-se para casa delas... elas que estiveram com ela nessa noite e estariam sempre a partir dali! Passou um dia, ela enrolada em lágrimas, ele ao seu lado a aconchegá-la no seu amor e elas a passear nas compras pela cidade... e numa ingénua tentativa de a animar compraram três óculos de sol que assim formaram o trio e trouxeram-lhe um pequeno sorriso esboçado entre a tristeza de ter perdido uma amiga e mais outras duas que a tinham acompanhado no inicio do superior e nas casas onde morou!
Mas nada estava perdido... tinha-o encontrado a ele... e elas, embora não a tenham acompanhado desde sempre estariam lá quando fosse preciso!
E assim decidiram trocar os quartos do bairro por uma nova casa só para as três onde ele também seria sempre bem recebido!
Mudaram-se pouco depois para um primeiro andar soalheiro com vista para o estádio onde tinham a certeza... iam ser mais felizes!
E assim passou o tempo... ela arranjou emprego, elas mudaram de emprego, e ele continuava nas suas idas e vindas pela A8, menos vezes pois cada vez mais adormeciam um nos braços do outro!
A no fim do Verão eles sabiam o inevitável... ela teria que regressar a casa por causa de uma bolsa de estudo hipócrita... era a prova final para os dois! Deixaram a casa, elas ficaram, uma num minúsculo T1 no centro da cidade, outra num quarto alugado na avenida principal... ele voltou às frequentes viagens pela a A8 e ela... lá foi nas asas metálicas de um avião, dar aulas, separada por um imenso oceano azul e pela esperança de superar a prova final!
Um ano passou... elas... à mesa de uma pizza, desfiavam as suas solidões, partilhavam sonhos e novas aventuras... ele raramente aparecia, as saudades dela eram ainda maiores quando as via a elas... e ela, sozinha passeava-se entre a escola e as explicações à espera das férias para o voltar a ver!
Entre dias de sorrisos e dias de tristeza e angústia lá foram superando a barreira da distância e do tempo... casaram... são felizes e estão juntos para sempre!
Elas... entre o tempo gasto, uma no emprego, outra à procura dele, iam vivendo os dias entre alguns novos amigos e as suas conversas de café e pizzas partilhadas... ela... fez um amigo... daqueles amigos de verdade... ele... apresentou-lhe outros amigos... ela "empurrava" a amiga para as suas novas amizades... arrancava-a do marasmo onde ela teimava deixar-se ficar... onde tudo era vazio e cinza... inventava jantares em sua casa... visitas à "casa" dos amigos... e ela... "empurrada" lá ia conhecer os novos amigos da amiga e entre eles... ele descobriu-a... ela não queria...! Queria manter-se no limbo cinzento e quieto em que se encontrava... mas a amiga puxava-a... e ele... enrolava-a nos seu olhar meigo e no sorriso brilhante de promessas que a faziam lembrar-se dele como se dela própria se tratasse...!
Certa noite estavam as duas na esplanada com amigos e ele demorava-se a chegar... ela inquieta perguntava-se por ele sem sequer se lembrar porquê... ele chegou triste... de olhar baço e atormentado e ela desejou com todos as suas forças apaziguar-lhe a tristeza e fazê-lo sorrir... deu-lhes boleia às duas... mas a amiga depressa os trocou pelos amigos que seguiam noutro carro e ela... encetou a sua tentativa de o fazer sorrir... no fim da noite deixaram-se levar os dois até à praia... em busca de calma... em busca de paz... de esperança... e nas estrelas encontraram as suas almas unidas no céu...! E hoje enquanto descansam nos braços um do outro recordam essa noite, como a primeira do resto das suas vidas... estão felizes... e vão casar!
Ela... depois de garantir que a amiga estava bem... decidiu-se voltar a casa... abandonar de vez a cidade ingrata que não lhe dava emprego nem perspectiva, que a tinha atraiçoado nos sonhos... e lá foi, certo dia, onde se despediu à porta dos amigos e partiu num clio azul de dois lugares! A amiga tinha esperança que nada mudasse, que ela voltasse muitas vezes... mas ela... só voltou quase uma ano depois desse dia.
A amiga vivia agora os dias dividida entre o trabalho e o descanso terno dos braços da sua outra metade e ela... passeava-se sozinha... noutra cidade... em busca de novos, ou velhos amigos, numa tentativa de reatar um pouco de si mesma naquele lugar!
Procurava emprego, procurava amigos, estruturas emocionais e.... quase um ano passado, descobriu-o na mesma sala do trabalho que tinha acabado de encontrar... inteligente, sarcástico e bem disposto.... fazia-a rir... tocava guitarra e olhava-a como se fosse única!
Levou-o, de volta à cidade donde tinha partido, a casa da amiga, e lá descobriram toda a sua cumplicidade e voltaram ao trabalho juntos, unidos e cúmplices no amor que acabavam de descobrir! Estão juntos... partilham o dia a dia, os sonhos, as vidas e as almas... são felizes!


Apesar de separados recordam muitas vezes toda a amizade, cumplicidade e saudade que um simples telefonema não consegue remediar e todos sabem que o "Trio dos Óculos de Sol e o Namorado que pensava que o carro era um cavalo" permanecerá vivo ao longo dos tempos e das aventuras vividas a partir daqui!


Para a Sara, para a Patrícia e para o Paulo com saudades ******





publicado por tartaruga às 12:38
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3 comentários:
De Sara a 11 de Março de 2005 às 15:17
Quando conseguir para de chorar respondo-te!!!!


De gana a 11 de Março de 2005 às 15:08
Apesar de em algumas partes ter k voltar atras e reler..adorei e senti o k escreveste!
Jinhos


De gana a 11 de Março de 2005 às 15:07
Apesar de em algumas partes ter k voltar atras e reler..adorei e senti o k escreveste!
Jinhos


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